BMIK
Black Metal é neododecafonismo.
Black Metal é neododecafonismo.
(Nada como o torpor mental de dezenas de horas sem dormir para se entrar em estados bastante primitivos de consciência e ficar se sentindo assim, meio neardental. Se liguem, crianças: maneira barata e relativamente segura de se drogar. Meio demorada, sim, mas a paciência é uma virt - ah, deixa pra lá.)
Li o Mãos de Cavalo do Galera quase que numa sentada só e olha, achei muito bom. Não mais do que eu esperava, talvez por esperar muito, mesmo. O realismo meio furioso que ele empregou em diversas passagens da narrativa me interessou, e não foi pouco. Acho que é a primeira vez que isso me acontece. As primeiras páginas são de deixar qualquer gordinho transpirando de felicidade por um bom tempo. Invejei. Anotações mentais a cada três minutos de leitura: descobrir o que galera anda lendo (pt) urgente (pt). Moral da história: leiam.
/incidente curioso: comprei o volume numa das quasi-livrarias que temos nesta urbe londrinense. Trinta pilas bem gastos. Quatro dias depois, zanzando pelo Sebo Capricho, encontrei um exemplar idêntico, novinho, aparentemente nem mesmo folheado pelo antigo dono. Oito pilas. Comprei. (Pra constar: no mesmo dia, consegui reunir na cestinha Manoel Carlos Karam, Valêncio Xavier e Álvaro Cardoso Gomes, todos irremediavelmente fofos em suas edições e respectivos estados de conservação, o que nos leva a crer que passar horas carimbando os olhos em todos os exemplares de sebos pode ser um exercício mui fértil, dependendo da carga de recomendações que o praticantedo esporte silencioso tem na cachola.)
Também acho que é a primeira vez que me acontece de comprar dois exemplares idênticos de livros ainda não lidos. Espero que a prática não acarrete nenhum transtorno compulsivo. Meus bolsos agradecem.
Tenho uns comentários igualmente dispensáveis pra fazer sobre o Sonho Interrompido por Guilhotina, mas fica pra depois. Prometo. Aproveito pra embalar aquela soneca ishpérhta e úmida da tarde com o Satanique Samba Trio: canção para atrair má sorte ato I. Meigo.