coisas insones rabiscadas dentro de muitas horas de ônibus
RIO CLARO: minha terra natal, chuvosa e com as mesmas ruas estreitas e cortadas pelas valetas que denunciam a falta de um sistema subterrâneo de escoamento de água. Feita pra charretes, conserva o ar de, digamos, 1928.
Lembrei do dia em que nasci. Provavelmente foi a chuva. Na casa dos meus pais, decidi que nasci num dia chuvoso de 1987.
TAUBATÉ: a cidade-lenda, povoada por entidades fabulosas como Pedro e Bianquinha. No caminho, um comboio militar escoltava o que me pareceu alguma peça gigante de submarino – não fosse absurdo, eu até arriscaria dizer que se tratava de um MINI-SUBMARINO. Seguia pro Rio de Janeiro, de qualquer forma.
Tomei o Porre do Ano na Festa da Rodela (piadas internas: adoro).
SÃO PAULO: oi, São Paulo, te achei GATA, São Paulo. Quer voltar comigo? Posso viver aí? Diz que sim. Repare: hoje sou uma boa pessoa e acho que podemos fazer uma bela parceria, São Paulo. Quer ser minha PLATAFORMA? Não peço muito, só um canto perto do metrô. Pode ser até poluído e cercado por vizinhança esquisita, São Paulo. Sei que tu é gente boa e acolhe esquisitos como eu, São Paulo. Pensa com carinho. Sério.
ÔNIBUS PRA LONDRINA: congruência bizarra de assuntos podres rolados em alto e bom tom pra criançada ouvir. Conversa londrinense sempre tem que ter substantivos acabados em ina. Pânico. Não consegui dormir. Fiquei com a sensação de que esse não é um bom lugar pra criar os filhos.
Acho que é Deus me dizendo pra ir embora.
Vá pá Sum Paulo.
Comment by Deus — February 17, 2009 @ 11:48 am
são paulo me mandou dizer que sim.
Comment by nayra — February 17, 2009 @ 11:57 am
um canto perto do metrô parece quase um sonho. ideal.
eu diria até que perto do corredor de ônibus da rebouças, assim você pode chegar em qualquer canto escondido de são paulo por cima da terra.
estou com um problema com as vírgulas.
(que código difícil!)
Comment by marie — February 17, 2009 @ 1:44 pm